EXPERIÊNCIA DE VIDA EM VEZ DE RELATOS

Experiência de vida em vez de relatos de domesticação para cães, aumenta a liberação de oxitocina durante contato social com humanos.

Gwendolyn Wirobski1*, Friederike Range1, Franka S. Schaebs4, Rupert Palme3, Tobias Deschner2 & Sarah Marshall‑Pescini1

A socialização direcionada e ampliada dos cães com seres humanos em comparação aos lobos, pode ser resultado do aumento da atividade da oxitocina no organismo e reduzidas respostas ao estresse, mas estudos comparativos dão conta que experiência de vida está ausente. Nós comparamos o comportamento de uma matilha de logos criados em cativeiro e cães e as concentrações de hormônios após a interação com um ser humano familiar.

Ambos preferem o parceiro com o laço afetivo, mas cães mostraram menos variação na socialização dirigida do que lobos. Contato físico não esteve associado com a oxitocina mas se correlacionou positivamente aos glucocorticoides na matilha quando o ser humano não tinha um laço afetivo. Pra esclarecer o papel da experiência de vida, nós testamos cães de estimação e descobrimos que as concentrações de oxitocina se correlacionaram positivamente com seus donos, ao passo que os glucocorticoides permaneceram não afetados.

Resultados mostram que, devido às experiências similares, as diferenças entre cães e lobos na socialização direcionada são sutis e indicam que fatores relacionados à vida enquanto animais de estimação, em vez de domesticação, explicam a liberação de oxitocina durante as interações humano caninas.

Considera-se que animais domesticados em comparação à animais selvagens mostram temores reduzidos e aumento na vontade de interagir com humanos (Reatividade Emocional e Seleção para hipóteses de domesticação:1,2; Hipótese da hipersocialização:3; Tabela 1).

Tais mudanças são consideradas associadas com o eixo hipotálamo-pituitário-adrenal (HPA) e a reatividade do sistema oxitocinérgico resultando em diminuição da resposta ao estresse e maior inclinação pra se aproximar dos seres humanos (‘Síndrome da Domesticação’:4,5–9).

Animais de estimação10,11; analisados12, e também lobos extensivamente socializados, são capazes de formar relacionamentos afiliados duradouros13–16 com aqueles que cuidam deles. Contudo, em suporte aos cães sendo mais sociáveis com seres humanos do que lobos, em estudos anteriores, cães de estimação se aproximaram de uma pessoa familiar mais rápido e passaram mais tempo em proximidade delas do que lobos socializados por seres humanos3,17.

Similarmente, matilhas de cães que passaram um período mais longo em proximidade e olhando para um ser humano durante uma sessão de treinamento18 e em contato corporal com uma pessoa com laço afetivo no experimento durante uma “sessão de abraços”, do que lobos19. Em termos de que a secreção dos hormônios sugeridos, oxitocina aumentada e/ou glucocorticoide reduzido, são frequentemente relatados após interações entre cães e seus donos, tanto nos participantes caninos quanto humanos20–26; mas veja27–29, que efeitos podem ser mediados pelo estilo de interação, tipo de toque, assim como pela qualidade do relacionamento com o parceiro de interação24,30–32.

Estudos comparando diretamente as mudanças nas concentrações hormonais de lobos e cães quando interagem com seres humanos, são raros, com duas exceções notáveis. No primeiro estudo sobre a similaridade entre cães e lobos, ambos mostraram uma queda nas concentrações glucocorticoides salivares após uma rápida sessão de treinamento com seus cuidadores18.

No segundo estudo7 descobriu-se que as concentrações de oxitocina urinária em cães de estimação estavam ligadas aos olhares mútuos com seus donos, mas não nos lobos, e que a alteração nas taxas de oxitocina urinária estava correlacionada à taxa dos seus cães. Porém, esse efeito esteve presente somente no subgrupo de cães de estimação que olharam para seus donos por um período particularmente mais longo, mas não nos cães que os olharam por um curto período.

Baseado na comparação lobo/cão, os autores propuseram a evolução do loop de feedback nos sistemas oxitocinergéticos entre cães e seres humanos, provando ser uma interessante estrutura.

1Domestication Lab, Wolf Science Center, Konrad Lorenz Institute of Ethology, Department of Interdisciplinary Life Sciences, University of Veterinary Medicine, Veterinaerplatz 1, 1210 Vienna, Austria. 2Interim Group Primatology, Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology, Deutscher Platz 6, 04103 Leipzig, Germany. 3Unit of Physiology, Pathophysiology and Experimental Endocrinology, Department  of  Biomedical Sciences, University of Veterinary Medicine, Veterinaerplatz 1, 1210 Vienna, Austria. 4University of Leipzig,  ZLS,  Prager  Str.  34,  04317 Leipzig, Germany. *email: gwendolyn.wirobski@vetmeduni.ac.at

Hipótese da domesticação Sinopse Referências
Hipótese da Reatividade Emocional (Seleção por domesticação) Habilidades sociais direcionadas ao ser humano ampliadas em cães em comparação a lobos, evoluídas como um produto derivado da seleção por redução de medo e agressão (direcionada aos seres humanos) e aumento na docilidade. Hare and Tomasello1; Trut et al.2
Hipótese da Hipersocialização Variantes estruturais em dois genes do genoma canino associados com a Síndrome de Williams-Beuren em humanos, que estão ausentes em lobos, contribui para a motivação exagerada dos cães em buscar contato social com seres humanos. vonHoldt et al.3
Hipótese dos Dois Estágios Em vez de resultar da seleção durante a domesticação isolada, experiências com seres humanos durante ontogenia, afeta as respostas comportamentais e fisiológicas dos cães ao contato social com humanos posteriormente na vida. Udell et al.34; Udell and Wynne35

Tabela 1. Hipótese da domesticação canina apresentada e testada no estudo atual.

Condição Indivíduos em foco Curta descrição
Patamar Lobos, matilhas de cães, cães de estimação Animais repousando em canis com matilha parceira presente (animais de estimação: repousando em ambiente familiar interno)
Interação social diática (parceiro humano familiar) Lobos, matilhas de cães, cães de estimação, humanos Ser humano familiar inicia uma interação com o animal atrás da cerca/grade
Interação social diática (parceiro humano com laço afetivo) Lobos, matilhas de cães, cães de estimação, humanos Humano com laço afetivo (i.e., o treinador da matilha e dono dos animais de estimação) inicia uma interação com o animal atrás da cerca/gaiola
Controle alimentar Lobos, matilhas de cães, cães de estimação Comida fornecida por uma pessoa familiar (i.e., o criador do animal não está envolvido nos gestos manuais ou em outras condições) sem contato físico
Animal presente, nenhuma interação Humanos Condição de controle no canil fechado, sem interação com o animal (pessoa desviando o olhar do animal)
Animal não presente Humanos Condição de controle, humano participante realizando trabalho burocrático

Tabela 2. Teste experimental e condições de controle

no papel do referido sistema durante a domesticação canina. Porém, tem sido discutido que a comparação entre cães de estimação e lobos criados em cativeiro pode ter criado uma tendência nos resultados do segundo estudo33. De fato, a importância do controle nas experiências anteriores e exposição aos seres humanos nos testes de socialização não pode ser enfatizada o bastante (Hipótese dos dois estágios:34,35, Tabela 1;15,19,36,37.

Além disso, é provável que o laço entre um cão de estimação e seu dono seja diferente qualitativamente do relacionamento que um animal vivendo em cativeiro pode estabelecer com seu cuidador38. Isso é apoiado pelos dados mostrando que concentrações de oxitocina e glucocorticoide são fortemente mediadas por experiência prévia com o parceiro de interação (familiaridade) e qualidade do relacionamento32,39.

Pra ajudar a esclarecer os mecanismos hormonais da busca de contato social em lobos e cães, direcionada a seres humanos, nós conduzimos dois experimentos consecutivos:

Experimento 1: Matilha de cães e lobos. No Experimento 1, nós comparamos o comportamento da busca de contato (socialização), comportamentos auto-direcionados (CAD), ex: bocejar, lamber os lábios, balançar a cabeça e o corpo (comportamentos associados com estresse e medo em cães) 40,41, e concentrações de oxitocina urinária e metabólitos glucocorticoides (OTM e GCM, respectivamente) em comparações nas matilhas de cães e lobos criado em cativeiro — i.e., tendo tido as mesmas experiências com humanos ao longo de suas vidas — No Wolf Science Center (WSC), em Ernstbrunn, Austria.

Cães e lobos foram testados com dois parceiros humanos em diferentes relacionamentos (i.e., o treinador e uma pessoa familiar) em um teste de interação social diática e duas condições de controle (comida, repouso/’patamar’; Tabela 2). Considerando um estudo anterior 7 descobriu-se um aumento nas concentrações de oxitocina em cães mas não em lobos após as interações.

Nós também analisamos as concentrações de oxitocina nos parceiros humanos antes e após as interações com cães e lobos. Baseado na Hipótese de hipersocialização3, resultados anteriores ligando a domesticação canina e toque social ao aumento de atividade no sistema oxitocinergético7,42–47, e a descoberta de que as concentrações de oxitocina são mediadas pela força do relacionamento32, nós prevemos longos períodos de contato e concentrações de OTM mais altas nos cães do que nos lobos e ao interagir com o parceiro com laço afetivo em comparação ao parceiro familiar.

A Hipótese de Reatividade Emocional (1,2; Tabela 1) prevê que cães se aproximariam e interagiriam mais com os parceiros humanos (independente da força do relacionamento) do que os lobos. Além disso, lobos deveriam mostrar mais SDBs e concentrações de GCM mais elevadas do que os cães durante contato próximo com humanos. Mesmo assim estudos anteriores com lobos igualmente socializados e cães mostrou uma redução nas concentrações de glucocorticoide salivar após uma sessão de treinamento com um cuidador com laços afetivos em ambas as espécies.18.

Sendo assim, nós previmos concentrações mais baixas de GCM urinário após interações sociais em ambas as espécies, mediadas pelo relacionamento com o parceiro humano. Mais adiante nós previmos concentrações de OTM mais altas do que nas condições de controle, nos participantes humanos após as interações com lobos ou cães.

Experimento 2: Cães de estimação. No Experimento 2, nós testamos um grupo de cães de estimação usando o mesmo paradigma (i.e., testes de interação social diática com seus donos e uma pessoa familiar, controle alimentar, patamar; Tabela 2) para esclarecer o papel da experiência de vida nas respostas comportamentais e hormonais ao contato social humano. A Hipótese dos Dois Estágios(34,35; Tabela 1), propõe que um comportamento animal direcionado ao ser humano depende crucialmente de experiências ontogênicas prévias.

Dessa forma, nós previmos que cães de estimação passariam mais tempo com seu parceiro com laço afetivo e mostrariam concentrações de OTM mais elevadas após a interação, do que com uma pessoa familiar. Finalmente, nós prevemos concentrações de GCM mais baixas em cães de estimação após a interação social, do que nas condições de controle também mediadas pela força do relacionamento.

Materiais e métodos:

Experimento 1: Matilhas de cães e lobos. Local de estudo e animais. Nós testamos 10 lobos cinzentos e 11 cães mestiços (Tabela S1) alojados no Wolf Science Center (WSC, www.wolfscience.at/en/), em Ernstbrunn, Austria, e submetidos a um design interno. Todos os animais foram criados por criadores profissionais e separados das mães na primeira semana de vida, vivenciando contato contínuo com humanos (24 h) nos primeiros 4–5 meses de vida.

Após este período, sessões de treinamento regular positivo e comportamental ou cognitivo, garantiram que todos os animais experimentassem níveis de contato positivo com seres humanos e comparáveis durante suas vidas. Todos os cães e lobos foram alojados em díades ou grupos de até quatro animais em grandes canis ao ar livre. De acordo com os requerimentos específicos de suas espécies, os cães foram alimentados diariamente com ração canina e lobos foram alimentados com carne crua e carcaças de veados, coelhos e galinhas de 3 – 4 vezes por semana.

A coleta de dados ocorreu de Maio até o início de Dezembro de 2017 e no fim de Abril até Novembro de 2018, evitando a temporada de acasalamento dos lobos e as alterações hormonais e comportamentais associadas. Todos os cães e lobos do sexo masculino sofreram vasectomia com 6 meses de idade para evitar reprodução enquanto mantidos seus perfis endócrinos e comportamentais completos. Cães do sexo feminino não tiveram amostras coletadas se estivesse no cio e cães do sexo masculino não tiveram amostras coletadas se houvesse uma fêmea no cio na matilha.

Em tais casos nós esperamos até que os sinais externos comportamentais e fisiológicos desaparecessem antes de reiniciar os testes.

Participantes humanos. Doze participantes adultos e do sexo feminino que trabalharam como treinadores de animais no WSC (i.e., que foram condutores de animais, dessa forma agindo como parceiros com laço afetivo; N = 5) ou como pesquisadores (i.e. Pessoas familiares que não tiveram contato direto com os animais e não estiveram envolvidos na criação deles, agindo assim como parceiros de interação familiar para os animais; N= 7) foram voluntários para participar no estudo.

A percepção de um laço mais forte com o animal após a experiência com gestos, foi confirmada pelo fato de que os treinadores de animais trabalhando na WSC avaliaram seus relacionamentos com um animal em particular, consistentemente mais elevados se eles estivessem diretamente envolvidos na criação, do que se não tivessem48.

Design experimental. Para compara respostas comportamentais e hormonais das matilhas de cães e lobos após contato social próximo com diferentes parceiros humanos, todos os animais foram testados em quatro condições: (1) um ‘patamar’ (i.e., os animais em foco estavam repousando nos seus canis domésticos), (2) um teste de interação social diática com um parceiro humano familiar, (3) e com um parceiro com laço humano (4) e controle alimentar (Tabela 2).

Comparando as condições de interação social com o controle alimentar nos permitiu avaliar se a interação física por si mesma foi responsável por alterações hormonais específicas. Comparando as duas condições sociais nos permitiu avaliar se a liberação de oxitocina e glucocorticoide foi mediada por tempo de contato físico e/ou força do relacionamento com o parceiro humano.

O teste foi conduzido em ordem semi-aleatória e contrabalanceada. Os testes interativos envolveram uma “sessão de abraço” que durou 5 minutos nos quais os animais permaneceram em seus canis familiares e estavam livres pra aproximarem do cercado e serem acariciados pelos parceiros humanos (Fig. 1 A-B; filmes S1 and S2). Isso foi seguido por uma curta sessão de treinamento na qual os animais foram requisitados a responder aos comandos conhecidos em troca de recompensas alimentares (15 pedaços de salsicha, 1 × 1 × 1 cm).

A mesma quantidade de comida foi dada aos animais sob controle alimentar por uma terceira pessoa (um criador de animais que não estava envolvido na criação e não participou nos testes de interação social diática, mas sem qualquer interação física ou elogio verbal. Antes do teste, animais em foco não foram alimentados e não participaram de outros testes ou atividades por pelo menos 2 horas. Cada teste foi precedido de 60 minutos de observações comportamentais dos animais em foco pra garantir que não houvesse maiores perturbações ocorrendo que pudessem afetar os medições hormonais subsequentes.

Se houvesse alguma perturbação (e.g., agressão dentro da matilha, brincadeiras e acessos de asseio ou estímulos internos tais como visitantes, treinadores, alunos ou pesquisadores que causassem uma alteração comportamental observável na matilha em foco) ocorresse, o teste seria reagendado para outro dia. Cada animal foi testado somente uma vez por dia e forneceu duas amostras básicas em ocasiões separadas.

Participantes humanos foram testados com ao menos um lobo e um cão nas respectivas condições de controle (animal presente; nenhuma interação; animal não presente) (Tabela 2). O controle “animal presente, nenhuma interação” foi análogo à condição de interação, mas nenhuma interação (sem tocar, falar ou olhar) ocorreu entre o humano e o animal. O participante humano foi até o canil do animal com o condutor do experimento e ali sentaram quietamente na câmara de ar, virados para longe do animal pra evitar contato visual.

Ela permaneceu ali pelo mesmo período que a interação durou na condição de interação social. Seguindo um período de espera de 60 minutos  durante o qual não foi permitido que ela interagisse com outros seres humanos ou animais (foi permitido trabalho no computador, leitura ou descanso) até que doasse a amostra de urina.

No controle “animal não presente”, o humano participante forneceu a amostra de urina pré-teste e então seguiu para trabalhar no computador, ler ou descansar por 60 minutos sem qualquer contato com animais ou humanos. Aí então ela doou sua amostra de urina pós-teste.

Coleta de dados comportamentais. testes de interação social foram filmados e vídeos subsequentemente codificados com o software comportamental de Solomon (versão beta 17.03.22, direitos autorais de András Péter, https://solomon.andraspeter. com) usando um etograma canídeo (Tabela S2).

Para controle de pequena variação na duração total da sessão de interação e variação da quantidade de animais que permaneceram visíveis nos vídeos (i.e., todos os indivíduos estavam livres pra se movimentar nos canis durante o teste, enquanto a câmera permanecia em um ponto fixo), primeiro nós calculamos o “tempo total em vista” subtraindo o tempo percorrido fora de visão, da duração total da sessão e então normalizamos as durações do tempo gasto com contato corporal (duração do contato corporal/tempo total em vista) e a taxa de comportamentos auto-direcionados (SDB/Self-directed Behavior) por segundo (soma de bocejos, lambidas nos lábios, sacudidas na cabeça ou corpo/tempo total em vista) pelo ‘tempo total em vista’ para análises estatísticas posteriores. 

Subsequentemente nós indicamos o ‘tempo total em vista’ como ‘tempo de interação’. Um teste de confiabilidade interobservador (IOR) foi realizado em 20% dos vídeos de interação marcados por dois observadores independentes usando o pacote IRR (versão 0.84.1) in R, versão 4.0.254. Isso revelou alta confiabilidade para todos os comportamentos: Duração gasta na proximidade do parceiro humano, coeficiente de correlação interclasse (ICC) = 0.99, P < 0.01, 95% intervalos de confiança (CI) 0.92–0.99; duração do tempo gasto com contato corporal com o parceiro humano, ICC = 0.99, P < 0.01, CI 0.79–0.99; soma dos comportamentos auto-direcionados, ICC = 0.93, P < 0.01, CI 0.47–0.99.).

Figura 1. (A,B) Teste de interação social diática no canil do animal. Teste de interação com um parceiro humano com um lobo (A), um cão de matilha (B).

Coleta de amostra de urina e medição hormonal. Amostras de urina espontaneamente intervaladas e não-invasivas foram coletadas de todos os cães e lobos durante caminhadas na coleira, usando uma vareta descartável presa a um copo de plástico. Antes do teste todos os animais foram habituados ao procedimento de coleta de urina.

Todos os animais tiveram a urina coletada em caminhadas de 60 minutos após o teste e nós coletamos a primeira urina descartada. Amostras usadas para análise foram coletadas em uma média de 74 minutos após o teste (SD 8.5 min, alcance 60–104 min; comparáveis aos estudos anteriores:29,44,50). As amostras de patamar foram coletadas após pelo menos 60 min de descanso sem perturbações nos canis. Amostras de urina humana foram coletadas pelos próprios participantes imediatamente antes e 60 minutos após o teste de interação.

Após a coleta, todas as amostras foram divididas em quadro alíquotas de 1 ml. 100 µl de 0.1% ácido fosfórico (PA) foi adicionado à duas alíquotas pra prevenir degradação da oxitocina nas amostras e otimizar as condições de armazenamento49–52. Uma alíquota de 1 ml de cada amostra foi mantida sem PA pra medir a gravidade da medida urinária específica (SG; pra levar em conta a diluição da urina em amostras de lobos e cães), creatinina urinária  (crea; pra controlar a diluição de urina em amostras humanas) e glucocorticoides Todas as amostras foram congeladas à −20 °C dentro de 15 min de coletas. Extrações de fase sólida (SPE) seguindo um protocolo previamente validado foram realizadas para medição urinária OTM51, e extrações de éter dietílico para GCM urinário GCM50.

Amostras extraídas foram seladas e enviadas em gelo seco para o Instituto de Antropologia Evolucionária Max-Planck em Leipzig, Alemanha, para medições OTM e para a Unidade de Patofisiologia e Endocrinologia Experimental da Universidade de Medicina Veterinária em Vienna, Austria, para medições GCM. Para medição OTM nós usamos um kit de imunoensaio enzimático (EIA) disponível comercialmente (Arbor Assays, Ann Arbor, Cat. No: K048-H5).

O ensaio foi validado analítica e fisiologicamente para espécies de estudo e matriz amostra52. A curva do ensaio padrão variou de 16.38 à 10 000 pg/ml e a sensibilidade do ensaio foi de 17.0 pg/ml. Coeficientes de variação intra-ensaio (CVs) foram de 8.6% (amostras de cães/lobos) e 9.5% (amostras humanas). Intra-ensaios CVs de controles de qualidade de alta e baixa concentração (QCs) foram de 9.7% (altos) e 12.4% (baixos).

Para medições urinárias GCM, nós usamos um kit de cortisol EIA fabricado em casa, com anticorpos produzidos contra cortisol-21-HS:BSA, previamente validado para nossos fins50. A curva do ensaio padrão variou de 2 à 200 pg/well a sensibilidade do ensaio foi de 2 pg/well. CVs de intra-ensaios e inter-ensaios foram de 5.3% e 7.5%, respectivamente.

 Todas as amostras foram medidas em duplicatas e repetidas se os valores de densidade ótica (OD) diferirem mais que 10%. Concentrações urinárias OTM e GCM em lobos e cães foram corrigidas pelo conteúdo de água variável das amostras usando SG urinário, medido com refratômetro digital como descrito anteriormente50–52. Concentrações hormonais SG corrigidas são expressadas em OTM pg/ml SG e GCM ng/ml SG53. Concentrações humanas de OTM urinário foram expressadas em pg/mg crea pra levar em conta a concentração variável e volume das amostras anuladas.

Experimento 2: Cães de estimação. Design Experimental. Surpreendentemente poucas diferenças nas respostas comportamentais e hormonais das matilhas de cães e lobos18  às interações sociais com humanos, contrastam com descobertas recentes7 sugerindo que o último experimento pode ter sido tendencioso pelo uso de cães de estimação em vez de animais com experiências de vida similares.

Sendo assim, nós conduzimos um segundo experimento com animais de estimação usando o mesmo paradigma de teste: Dez donos de cães adultos do sexo feminino e seus animais (5 machos e 5 fêmeas; média (SD) idade 6.9 (4.1) anos; Tabela S8) foram recrutados nos seus ambientes pelos pesquisadores e voluntários que participaram no atual estudo. Díades de donos de animais de estimação foram escolhidos com base na alta familiaridade deles com o ambiente de teste na WSC pra manter as condições tão similares e comparáveis para as matilhas quanto possível.

Colegas do sexo feminino que eram familiares com os cães (i.e., tinham interagido com eles antes em múltiplas ocasiões) foram recrutadas pra agir como parceiros de interação familiar para os cães de estimação. Todos os cães tinham morado com seus donos por pelo menos 6 meses antes do início do estudo e continuaram morando após o seu término.

Pra manter os procedimentos consistentes com Experimento 1, nós testamos os cães de estimação ao ar livre em dois contextos: (1) em um contexto fechado com uma cerca entre o parceiro humano e o cão e (2) em espaço aberto sem cercado, porque nós propomos a hipótese de que a presença da cerca poderia afetar o interesse dos cães na aproximação e permanência próxima aos humanos, particularmente em cães de estimação que não estão acostumados a este modo de interação. As locações do teste eram familiares para os cães e lhes foram dados vários minutos para explorarem os arredores antes do teste começar.

Todos os cães foram testados em ambos os contextos (i.e., com/sem cercado), com seus donos, uma pessoa familiar e condicionamento alimentar. Um cão completou apenas quatro testes devido a restrições no tempo do dono e indisponibilidade do cão para testes posteriores. A medida de patamar foi tirada seguindo o período de descanso de 60 min nos seus ambientes familiares (i.e., o escritório do dono). Os testes de interação social e controle alimentar foram realizados  em modo análogo ao Experimento 1.

Para eliminar possíveis efeitos de ordem, um teste foi realizado eu uma ordem semi-aleatória e contrabalanceada com os indivíduo e cada cão de estimação foi testado apenas uma vez por dia. Os cães não foram alimentados, não fizeram caminhadas ou interagiram durante as duas horas antes do início do teste. Cada teste foi precedido por um período de repouso de 60 min. Nos seus ambientes familiares com o dono presente, mas instruídos a não interagirem com o cão.

Coleta de dados comportamentais e hormonais e tratamento da amostra foram idênticos ao Experimento 1, como descrito acima.

Análises estatísticas. Nós encaixamos modelos lineares mistos generalizados (GLMM, LMM) no software estatístico R54, versão 4.0.2, https://www.R-project.org), usando a função ‘lmer’ do pacote lme4 (versão 1.1– 2155), com o otimizador ‘bobyqa’, e a função ‘glmmTMB’ do pacote glmmTMB (versão 1.0.2.1, 56). Nós incluímos todas as rampas aleatórias identificáveis57,58, que receberam um código postiço centralizado manualmente.

Para manter a taxa de erro tipo I error em 5%, nós comparamos todos os modelos inteiros com um modelo nulo respectivo59 faltando somente o preditor do teste, mas incluindo preditores de controle e estrutura de efeitos aleatórios completos usando o teste de taxa de probabilidade60. Caso um termo de interação de ordem mais elevada não revelasse significância, modelos reduzidos carecendo daquele termo de interação, mas incluindo todas as interações relevantes de ordem mais baixa, ou termos de efeito principal, foram encaixados.

A estabilidade do modelo foi analisada ao comparar a estimativas obtidas do modelo baseado em todos os dados daqueles obtidos dos modelos com níveis de efeitos aleatórios excluídos um de cada vez. Isso revelou boa estabilidade do modelo exceto pelo modelo com taxas SDB em matilhas de cães e lobos que indicam alta incerteza em resultados obtidos a partir desse modelo (Tabela S5) e interpretação cautelosa.

Nós realizamos uma inicialização paramétrica pra obter intervalos de confiança (função ‘bootMer’ de lme4) e analisamos colinearidade com a função ‘vif ’ do pacote car (versão 3.0-0, 61), aplicado ao modelo carecendo de efeitos aleatórios. Isso não revelou problemas com colinearidade em nenhum dos modelos. Para uma descrição detalhada do teste e preditores de controle, assim como efeitos aleatórios incluídos nos modelos ajustados, e todas as tabelas de resultado do modelo, ver material suplementar.

Um total de 104 amostras com 50 lobos e 50 cães foram usadas para análises estatísticas das concentrações urinárias OTM em todas as condições do teste. Um total de 42 amostras (amostras de 20 lobos e 22 cães de matilha) foram utilizadas para análises estatísticas de concentrações OTM e 40 amostras (amostras de 19 lobos e 20 cães de matilha) foram usados para análise de concentrações de GCM seguindo testes de interação social. 204 amostras de urina humana incluindo 102 pares de amostras compatíveis pré e pós testes, foram utilizados para análises estatísticas de concentrações urinárias OTM humanas. Um total de 67 amostras de urina de cães de estimação foram usadas para análises estatísticas das concentrações urinárias OTM e 61 para concentrações GCM.

Declarações éticas. Esse estudo foi discutido e aprovado pelo Comitê de Ética Institucional e Bem Estar Animal da Universidade de Medicina Veterinária de Vienna, de acordo com as Boas Práticas Científicas e diretrizes ARRIVE, assim como nacionais e da legislação da União Europeia (Protocolo número ETK-05/03/2017). A parte humana foi discutida e aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Médica de Vienna (Protocolo núm. 1769/2017) e realizado de acordo com diretrizes e regulamentos relevantes.

Consentimento escrito foi obtido de cada participante após completa explicação da natureza de todos os procedimentos usados. Consentimento escrito também foi obtido de cada participante para publicar imagens e descobertas em uma publicação de espaço aberto.

Resultados

Experimento 1: Matilhas de cães e lobos. Efeito nas espécies e condição de teste em concentrações de metabólitos em oxitocina urinária.

Descobrimos que as concentrações de OTM urinária foram mais elevadas seguindo as condições de alimentação, independente da espécie (LMM; χ2 = 8.6, df = 3, P < 0.05; sem efeito na interação entre espécies e condição: χ2 = 4.7, df = 3, P = 0.2; Tabela S3 e Figura S1). Cães do sexo masculino tiveram as mais altas concentrações de OTM urinária do que os do sexo masculino e lobos (LMM; χ2 = 6.9, df = 1, P < 0.01; Tabela S3 e Figura S2), status de alimentação (i.e. Sendo alimentado ou não, no dia antes do teste), relevante somente para lobos (já que cães foram alimentados diariamente) com concentrações de OTM urinárias afetadas: estando com fome resultou em concentrações de OTM mais elevadas do que sendo alimentados, independente das condições do teste (LMM; χ2 = 11.6, df = 1, P < 0.01; Tabela S3).

Efeito das espécies e força do relacionamento na procura de contato corporal e comportamentos auto-direcionados.

Todos os cães e lobos aproximaram e interagiram fisicamente com um parceiro humano com laço afetivo e todos os cães interagiram com um parceiro familiar, mas somente 7 dos 10 lobos interagiram. De modo geral ambas as matilhas passaram significantemente mais tempo tendo contato corporal com o parceiro com laço afetivo do que o parceiro familiar (GLMM; χ2 = 12.8,    df = 1, P < 0.01; sem efeito na interação das espécies e força do relacionamento; χ2 = 1.7, df = 1, P = 0.2) e não houve diferenças significantes nas espécies, quanto a duração gasta com contato corporal entre os animais e seus parceiros (GLMM; χ2 = 3.2, df = 1, P = 0.08) (Figura S3, Tabela S4; cães: 87.7% do tempo de interação com o parceiro ligado afetivamente e 68.6% com o parceiro familiar; lobos: 72.9% com o parceiro ligado afetivamente e 31.7% com o parceiro familiar). Porém, o coeficiente de variação (CV) no comportamento de busca de contato corporal dos lobos foi significativamente mais elevado que nos cães com um parceiro familiar (estatística de teste = 6.62, p-value ≤ 0.01; pacote cvequality, versão 0.1. 3; 62). Sendo assim, o comportamento de busca de contato corporal dos cães com o parceiro familiar foi menos variável do que nos lobos. Cães demostraram em média1.4 SDBs (i.e., lamber os lábios, bocejos, sacudidas de cabeça/corpo) por minuto de interação, ao passo que lobos apenas mostraram 0.5. Nos cães, o tempo gasto em contato corporal com o parceiro familiar, mas não o parceiro ligado afetivamente, esteve positivamente associado à taxa SDB (Figura S4 a), ao passo que um padrão contrastante surgiu em lobos: o tempo gasto em contato corporal com o parceiro ligado afetivamente esteve positivamente associado à taxa SDB (GLMM; χ2 = 4.9, df = 1, P < 0.05) (Tabela S5, Figura S4 b). Porém, a análise nos intervalos da confiança do modelo revelaram considerável incerteza associada com este resultado (Tabela S5).

Efeito das espécies, força do relacionamento e contato corporal na oxitocina urinária e concentrações de metabólitos em glucocorticoides.

Em seguida nós investigamos se a OTM urinária e concentrações de GCM em cães e lobos foram afetadas diferentemente pelo contato físico com um parceiro ligado afetivamente ou parceiro familiar. Nós descobrimos que ambas as espécies tiveram concentrações de OTM urinária mais elevadas após interagirem com o parceiro familiar do que com o parceiro ligado afetivamente (LMM; χ2 = 5.5, df = 1, P < 0.05; Tabela S6), mas não houve efeito de contato físico nas concentrações OTM em ambas as espécies (LMM; χ2 = 0.84, df = 1, P = 0.36; Tabela S6). Porém, as concentrações de CGM urinária em cães em lobo correlacionaram positivamente com o tempo gasto em contato físico com seus parceiros familiares (LMM; χ2 = 6, df = 1, P < 0.05; Fig. 2 a-b; Tabela S7), e isso pareceu ser motivado pelos lobos (baseado na inspeção visual dos dados e estimativas dos modelos, Tabela S7) embora a interação tripla com as espécies não foi significante (LMM; χ2 = 2.4, df = 1, P = 0.12; Tabela S7). Finalmente, vários preditores de controle tiveram efeitos significantes: indivíduos com concentrações de GCM de alto patamar, também tiveram concentrações GCM mais elevadas, seguindo os testes de interação social (LMM; χ2 = 16.4, df = 1, P < 0.001; Tabela S7), e estando com fome resultou em concentrações de GCM mais elevadas em lobos (LMM; χ2 = 7.9, df = 1, P < 0.001; Tabela S7). De forma geral, cães tiveram concentrações de GCM mais elevadas do que lobos (LMM; χ2 = 10, df = 1, P < 0.001; Tabela S7), independente da condição.

Efeitos das espécies, força do relacionamento e condição das concentrações de metabólitos na oxitocina urinária humana. Não houve efeito da condição, ponto temporal (pré, pós), relacionamento, força ou espécies (χ2 = 23.7, df = 19, P = 0.21) nas concentrações de OTM urinária humana.

Os resultados obtidos do Experimento 1 agrupados foram um tanto surpreendentes: ao passo que descobrimos concentrações de OTM aumentadas em cães e lobos em resposta à comida, em contraste às nossas previsões, nenhum aumento nas concentrações de OTM esteve evidente seguindo o contato social com humanos em ambas as espécies (Figura S1). Em vez disso, as concentrações de GCM correlacionaram positivamente com o tempo gasto sendo acariciados pelo parceiro familiar. Ambas as espécies buscaram preferencialmente contato com as pessoas com laços afetivos, mas o comportamento dos lobos foi mais variado do que os cães, parcialmente alinhados com nossas previsões. SDBs são muito mais frequentes em cães, que correlacionaram positivamente com contato corporal mediado pela força do relacionamento. Finalmente nós descobrimos nenhum efeito de contato físico com um cão ou lobo nas concentrações de OTM urinário humano.

Experimento 2: Cães de estimação. Efeito da força de relacionamento na busca de contato corporal e comportamentos auto-direcionados.

Todos os 10 cães de estimação abordaram ambos os parceiros humanos e gastaram em média 76.5% do tempo de interação sendo acariciado pelos seus donos e 61.6% pela pessoa familiar. Embora eles gastem uma percentagem menor do tempo tendo contato corporal com qualquer humano quando há um cercado (64.8% com cercado, comparado a 74.1% sem cercado), a diferença não foi significante estatisticamente, e cães de estimação não diferenciaram entre parceiros humanos, baseado na força do relacionamento (GLMM; Full-Null model comparison: χ2 = 5.7, df = 2, P= 0.06; Figura S5). Assim como matilhas de cães, cães de estimação mostraram  1.4 SDBs por minuto de interação, contudo, em contraste às matilhas de cães, as taxas de SDB não foram afetadas pela força do relacionamento, pelo tempo gasto em contato corporal ou presença de cercado (GLMM; Full-Null model comparison: χ2 = 7.0, df = 4, P = 0.13).

Efeito da força do relacionamento e contato corporal nas concentrações de oxitocina urinária e metabólitos  nos glucocorticoides.

Nos cães de estimação, o tempo gasto tendo contato físico com seus donos, mas não com a pessoa familiar, esteve associado com altas concentrações de OTM urinário (LMM; χ2 = 5.1, df = 1, P < 0.05; Tabela S9, Fig. 3). Mais adiante, cães de estimação com concentrações mais altas de OTM seguindo os testes de interação (LMM; χ2 = 5.5, df = 1, P< 0.05; Tabela S9), e a presença de um cercado esteve associada com concentrações de OTM mais elevadas (LMM; χ2 = 4.7, df = 1, P < 0.05; Tabela S9). No efeito do contato corporal ou força de relacionamento, foi evidente  nas concentrações de GCM urinário em cães de estimação (LMM; Full-Null model comparison: χ2 = 6.1, df = 3, P = 0.11).

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Figura 2. (A,B) Glucocorticoides e contato social com seres humanos em matilhas de cães e lobos. Link entre concentrações de metabólitos glucocorticoides urinários (GCM; ng/ml SG), proporção do tempo de interação gasto com contato corporal e condição (i.e., força do relacionamento com o parceiro de interação: com laço = pontos cinzas, linha sólida; familiar = triângulos pretos; linha pontilhada), in (A) cães de matilha (N = 11; pontos de dados mostram todos os cães em condição ‘familiar’; pontos de dados mostraram10 cães em condição de ‘laço afetivo’ devido ao volume insuficiente de amostras de urina para medições de GCM), e (B) lobos (N = 10; e pontos de dados mostraram todos os lobos em condição ‘familiar’; pontos de dados de 9 lobos em condição ‘de laço afetivo’ devido ao volume insuficiente de amostras de urina pra medições de GCM).

Em linha com nossas previsões, nós descobrimos que concentrações de OTM urinária em cães de estimação correlacionaram positivamente com o tempo gasto em contato corporal com seus donos, mas não com o parceiro familiar (Fig. 3). Nenhuma mudança nas concentrações de GCM urinário em cães de estimação esteve evidente em cada uma das condições. Interessante que enquanto cães de estimação interagiram levemente por mais tempo com seus donos do que com parceiros familiares (Figura S5) Essa diferença não foi significante e eles mostraram a mesma taxa de SDBs que os cães de matilhas, mas isso não foi afetado pela força do relacionamento ou pelo tempo gasto em contato corporal.

Figura 3. Oxitocina e contato social com humanos em cães de estimação. Link entre concentrações de metabólitos em oxitocina urinária (OTM; pg/ml SG), proporção da interação do tempo gasto em contato corporal e condição (i.e., força do relacionamento no parceiro de interação: dono/laço afetivo = pontos  cinzas, linha sólida; familiar = triângulos pretos; linha pontilhada) em cães de estimação (N = 10; pontos de dados mostrados em 9 cães em condição ‘familiar’ devido à indisponibilidade de um dos cães para testes posteriores; pontos de dados mostrados em todos os cães de estimação em condição ‘ligado afetivamente/dono). Figura 3 mostra pontos de dados na condição ‘cercado presente’ para melhor comparação de cães de estimação com matilha de cães e lobos (ver FigureaS6 para dados na condição ‘sem cercado’).

Discussão

Ao longo da domesticação, cães podem ter desenvolvido uma vontade crescente de aproximar e interagir de perto com os parceiros humanos em comparação aos lobos (Hipótese de hipersocialização):3,17), com elevada oxitocina, mas reduzida liberação de glucocorticoides (‘Síndrome da Domesticação’:4,6–9). Porém, quando comparamos igualmente as matilhas de cães e lobos na WSC, não encontramos uma forte diferença no comportamento de busca de contato direcionado aos seres humanos: ambas as especies preferiram o parceiro ligado afetivamente em vez do parceiro familiar, ainda assim os cães passaram mais tempo com humanos do que os lobos. Embora seja interessante que o comportamento dos lobos foi muito mais variado do que o dos cães quando interagiam com o parceiro familiar. Além disso, em contraste à hipótese de que a liberação de oxitocina estimularia interações afiliadas assim como ser responsável pelas diferenças comportamentais entre cães e lobos, as concentrações de OTM nas matilhas de cães e lobos não foram afetadas pelas carícias recebidas de ambos os parceiros humanos. Tanto lobos quanto cães tiveram concentrações de OTM mais altas seguindo a condição ‘apenas-comida’, do que após interagirem com seus instrutores (Figura S1), sugerindo que a comida é percebida como sendo mais recompensadora do que o contato físico com humanos. Levando tudo em conta, este estudo questiona a ideia de que o aumento da socialização em cães direcionada aos seres humanos é devido as alterações na reatividade do sistema oxitocinergético, induzidas por domesticação, em resposta ao contato social humano.

Mesmo assim nós descobrimos que as concentrações de OTM em cães de estimação correlacionaram positivamente com o ato de serem acariciados pelos donos, mas não por uma pessoa familiar (Fig. 3). Sendo assim, parece que a natureza do relacionamento entre cães e donos difere do relacionamento que animais de matilhas podem estabelecer com seus treinadores e que experiências anteriores com humanos afeta a liberação de oxitocina em cães, dando suporte a Hipótese da Domesticação em Dois-estágios34,35. De acordo, a ontogenia e história de vida do indivíduo tem um importante papel na manifestação de inclinações comportamentais (e correlatos fisiológicos) posteriormente em vida. (Tabela 1). As descobertas atuais sugerem que isso também pode se aplicar a vivência do contato próximo aos humanos, como um evento recompensador. Isso  tem apoio posterior por cães de estimação que não respondem com mudanças nas suas concentrações de GCM nos testes de interação, enquanto que contatos físicos de longa duração com uma pessoa familiar levaram a concentrações de GCM mais elevadas na matilha de animais, especialmente lobos. Importante, não foi a presença da pessoa, mas sim a interação física que esteve associada com as elevadas concentrações de GCM, já que os animais mais tímidos (que nem se aproximaram das pessoas) tiveram concentrações mais baixas do que os que interagiram fisicamente com uma pessoa familiar. Concentrações aumentadas de glucocorticoides estão associadas com uma perda de controle percebido e previsibiliade63,64, e nos cães, tem sido mostrado que há aumento em resposta à uma interação com um estranho em um ambiente novo65. Isso indica que contato físico com humanos não ligados afetivamente ativa o eixo HPA em cães e lobos vivendo em cativeiro, o que pode ser interpretado como um sinal de que os animais perceberam a situação como imprevisível e estressante (mas interessantemente escolheram permanecer perto dos humanos), ao passo que cães de estimação não reagiram dessa forma (provavelmente devido a maior experiência encontrando e sendo tocados por pessoas menos familiares). Enquanto que o amortecimento da reatividade no eixo HPA tem sido proposta como resultado da domesticação mediando a resposta comportamental de medo aos domesticadores (Reatividade Emocional e Seleção para Hipótese da Domesticação1,2; ‘Síndrome da Domesticação’:4), nosso estudo indica que isso depende da história de socialização dos indivíduos e experiência anterior com diferentes parceiros de interação humana, pelo menos no que diz respeito às concentrações de glucocorticoides circulando.

Interessante é que em contraste às previsões que surgiram da Hipótese de Reatividade Emocional, as taxas de SDB durante os testes de interação foram 3 vezes mais elevadas em cães do que em lobos e positivamente relacionadas ao tempo gasto com contato corporal (mediado pela força do laço afetivo) mas não associadas à concentrações de GCM. Previamente, SDBs têm sido interpretados principalmente como sinais de estresse40,41, mas atos como lamber os lábios em particular, são importantes componentes do comportamento canino de saudação realizado pelo indivíduo mais submisso ao mais dominante66. Em interações cão/ser humano, lamber os lábios pode servir como um sinal comunicativo durante uma saudação24,67,68 e pode ser usado para evitar conflito em situações sociais percebidas como levemente ameaçadoras69. Certos cães passaram mais tempo em geral tendo contato físico com humanos e os desempenhos das matilhas e cães de estimações igualmente tiveram altas taxas de SDB, o que parece que em vez de ser um indicador de medo/estresse, é um indicador de que cães se comportam mais submissivamente do que lobos quando interagindo com humanos. Essa descoberta dá suporte a noção de que cães foram selecionados por suas crescentes inclinações submissivas, em última instância resultando em parceiros cooperativos mais obedientes para os seres humanos (Hipótese do Comportamento Diferencial;70), mas é necessário estudos posteriores pra testar a significância do SDB durante interações entre ser humano e cão.

Além disso, nós descobrimos que matilhas de machos tiveram concentrações de OTM urinário significativamente mais altas do que as fêmeas e ambos os lobos machos e fêmeas (Figura S2; para discussão prévia ver51), mas essa diferença no sexo não foi significante em cães de estimação, embora os machos  (554.1 pg/ml SG) tiveram em média concentrações de OTM mais elevadas do que as fêmeas (506.1 pg/ml SG) e indivíduos castrados (333.6 pg/ml SG). Ao passo que animais de matilha estavam intactos hormonalmente (machos sofreram vasectomia com 6 meses de idade pra impedir a reprodução, mas seus perfis endócrinos e comportamentais foram mantidos), metade dos cães de estimação da nossa  amostra foram castrados. Ambos o eixo HPA e o sistema de oxitocina estiveram intactos e são modulados por concentrações hormonais gonadais71,72. Dessa forma é possível que castração possa ter afetado as respostas endócrinas dos cães de estimação no presente estudo, o que deve ser investigado mais além em uma amostra maior.

Nós não encontramos um efeito de interação com matilhas de cães e lobos nas concentrações de OTM urinário em participantes humanos. Enquanto que em contraste às nossas previsões, essa descoberta não é inteiramente surpreendente. Na verdade, vários estudos não relatam efeitos nas concentrações de OTM humano nas interações de seres humanos e animais27–29. É possível que as amostras periféricas (plasma, urina, saliva) e os métodos comumente usados para medições (imunoensaio enzimático; EIA) não sejam sensíveis o suficiente para detectar efeitos sutis, particularmente se as concentrações caem dentro do menor alcance do ensaio52, assim como fazem em amostras de urina humana. Além disso, nós não pudemos controlar fases de ciclo ou contraceptivos hormonais que são conhecidos por afetar as concentrações de oxitocina nas mulheres73,74. Além do mais, não pudemos controlar o que os participantes humanos fizeram antes de doar amostras pré-teste (embora todos foram instruídos para não comer ou se exercitarem antes de colher a amostragem). Dessa forma, isso pode ter confundido as medições pré-teste e nos impedido de detectar uma mudança subsequente (sutil) nas concentrações de OTM/GCM urinários. Finalmente, nosso estudo incluiu somente participantes do sexo feminino, limitando a generalização das descobertas.

Pra concluir, devido à socialização similar e experiência de vida com humanos, a comparação das matilhas de cães e lobos demostra que as diferenças no comportamento de busca de contato social são sutis e mediadas pela força do relacionamento. Não ficou evidente nenhuma diferença nas concentrações de OTM/GCM urinários associada com contato humano, mas em um experimento feito com cães de estimação em seguida, o contato físico com seus donos foi associado às concentrações de OTM mais elevadas. Dessa forma os resultados dão apoio parcial à noção de cães hipersociais3,17. Em vez disso, eles estão alinhados com a Hipótese da Domesticação em Dois Estágios34,35, através do qual não somente a filogenia, mas também a socialização e repetidas interações com humanos prevê a correlação da fisiologia e sociabilidade de cães e lobos mais tarde na vida. De acordo, as diferenças comportamentais e hormonais das espécies em resposta ao contato humano, encontradas no estudo presente e anterior, provavelmente reflete as diferenças devido à experiência de vida em vez de domesticação. Além disso, ao demostrar que experiência de vida afeta a manifestação do comportamento social e subjacentes hormonais correlatos em cães, nossos resultados estão alinhados com a regulação epigenética do sistema endócrino durante o processo de socialização75,76.

Disponibilidade de dados

Todos os dados gerados ou analisados durante este estudo estão incluídos nos arquivos de informação suplementar.

Recebido: 12 Abril 2021; Aceito: 24 Junho 2021

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