TERAPIA: A CIÊNCIA POR TRÁS DOS PETS

cachorro bem tratado

Escrito por Catherine Zhang e editado por Gouri Ajith

Com a crescente popularidade das sessões de terapia com animais nas escolas públicas e particulares por todo o país, elas são sempre anunciadas como um modo de ajudar os alunos a relaxarem ao lhes dar uma válvula de escape temporária da rotina mundana da típica vida acadêmica. Embora os benefícios desses eventos terapêuticos seja limitado à felicidade e alívio de estresse vivenciados pela interação com animais, pesquisas sobre hormônios e células especializadas do sistema nervoso (chamadas de células nervosas) têm mostrado não somente os benefícios dos animais de estimação nos seres humanos, mas também nos animais sendo acariciados.

Oxitocina, o “hormônio do amor” é liberado quando um dono e seu cão interagem um com o outro através de estímulos com toques gentis [1]. Já que o hormônio também é liberado quando há estímulo a ejeção de leite durante amamentação, promovendo contrações uterinas durante partos e facilitando o laço entre a mãe e o bebê, os relacionamentos entre animal de estimação e dono podem ser comparados àqueles entre mãe e infante [1]. Além das qualidades de laços sociais, a oxitocina também está intimamente associada às propriedades anti-estresse, tais como redução de pressão sanguínea e níveis mais baixos de cortisol – o hormônio do estresse – [2]. Isso sugere que o amor e conforto que uma criança experimenta de sua mãe também é aplicável àquele experimentado por um animal e seu amado dono, já que a oxitocina tem efeitos calmantes na mãe e na criança durante os cuidados maternos e no animal de estimação e seu dono durante carícias. 

Pra estudar o relacionamento entre animais e seus donos, um estudo de 2017 analisou amostras de sangue coletadas tanto dos donos e seus cães em intervalos de 1, 3, 5, 15, 30, e 60-minutos, usando cateteres, que são tubos finos inseridos na veia para coletar sangue [3]. O estudo analisou os níveis do hormônio presentes em amostras de sangue e concluiu que tanto humanos quanto cães tiveram elevados níveis de oxitocina quando os donos acariciaram seus animais. Embora este estudo tenha focado principalmente na correlação entre níveis de hormônio em ambos o cão e seu dono, esses dados também podem ser extrapolados para o contexto de estranhos acariciando animais — já que o hormônio é liberado por toques gentis em qualquer encontro independente de quem está acariciando o cão. Este estudo sugere que tanto os animais quanto os seres humanos beneficiam de interações positivas entre si, já que o toque gentil aplicado nos animais aumenta os níveis de oxitocina em ambas as espécies, dessa forma invocando os efeitos anti-estresse.

Além disso, um experimento de 2013 concluiu que o camundongo estudado preferiu ser um “animal de estimação”. Um tipo específico de célula nervosa chamada MRGPRB4 foi descoberta em peles peludas e transmite prazer quando estimuladas por carícias similares à massagens na pele, mas não por estimulação mecânica, tal como beliscões ou cutucadas. Além do mais, estas células nervosas MRGPRB4 dispararam somente quando o rato foi acariciado suavemente [4]. Pra testar se o camundongo preferiu ativamente os efeitos da ativação celular da MRGPRB4, pesquisadores modificaram geneticamente um grupo de camundongos com células MRGPRB4 que ativaram quando injetadas com uma droga específica. Pra detectar se o camundongo experimentou estímulos agradáveis com a ativação da célula nervosa específica, os pesquisadores criaram uma caixa com câmaras formadas por 3 salas com diferentes esquemas de cores e layouts de forma que o camundongo fosse capaz de diferenciar entre cada sala. Em um quarto específico, os pesquisadores injetaram o camundongo com a droga que ativava as células nervosas MRGPRB4. Quando receberam a opção de vagar pela caixa, os camundongos preferiram ficar na mesma sala onde receberam o tratamento com a droga – deixando implícito que o tratamento teve um efeito calmante e funcionou como reforço positivo nos animais. Os resultados deste estudo sugerem que quando recebem a chance, os camundongos preferem ter suas células MRGPRB4 ativadas, optando dessa forma por receber o mesmo estímulo de como se fossem animais de estimação. Apesar dos dados terem sido coletados somente de camundongos de teste, os dados neste experimento podem ser projetados em outros animais peludos tais como cães e gatos. Adicionalmente, já que uma célula nervosa similar foi identificada nos humanos, pesquisas posteriores também podem localizar sua contraparte em outras espécies animais [5].

Tanto os animais quanto seres humanos beneficiam do mutuo relacionamento estabelecido quando se acaricia o animal; sessões de terapia animal são efetivas para ajudar tanto os animais quanto os humanos a desestressarem. Através de testes posteriores, os pesquisadores esperam inventar uma loção ou droga calmante que possa invocar o mesmo estímulo agradável que carícias gentis transmitem [6]. Embora sessões de terapia com animais de estimação sejam imensamente populares entre estudantes, os benefícios biológicos dessas sessões em ambas as partes, são sempre subestimados devido à falta de consciência entre o público em geral.

Referências: 

  1. Burbach, J. P., Young, L. J., Russell, A., J. (2006). Oxytocin: synthesis, secretion, and reproductive functions. Knobil and Neill’s Physiology of Reproduction, 2:3055-3112.
  2. Uvnas-Moberg, K. (1998). Antistress pattern induced by oxytocin. News Physiology, 13:22-25.
  3. Petersson, M., Uvnäs-Moberg, K., Nilsson, A., Gustafson, L. L., Hydbring-Sandberg, E., & Handlin, L. (2017). Oxytocin and cortisol levels in dog owners and their dogs are associated with behavioral patterns: an exploratory study. Frontiers in Psychology, 8:1796.
  4. Vrontou, S., Wong, A. M., Rau, K. K., Koerber, R. H., Anderson, D. J. (2013). Genetic identification of C fibres that detect massage-like stroking of hairy skin in vivo. Nature, 493:669-673.
  5. Liu, Q., Tang, Z., Surdenikova, L., Kim, S., Patel, K. N., Kim, A., Ru, F., Guan, Y., Weng, H., Geng, Y., Undem, B., Kollarik, M., Chen, Z., Anderson, D., Dong, X. (2009). Sensory neuron-specific GPCR Mrgprs are itch receptors mediating chloroquine-induced pruritus. Cell, 139:1353-1365.
  6. Pennisi, E. (2013). Why Petting Feels Good. [online] Science | AAAS. Available at: https://www.sciencemag.org/news/2013/01/why-petting-feels-good [Accessed 17 May 2019].​

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